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Guia da vacina: o que você precisa saber sobre a campanha de imunização contra a covid-19

Cada Estado define seu próprio cronograma e agendamento da vacinação, que começou para profissionais da linha de frente no combate ao coronavírus

05/02/2021 às 20h42
Por: Portal Repercutiu Fonte: ESTADÃO
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Anvisa liberou neste domingo uso emergencial das vacinas Coronavac e da Astrazeneca. Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Anvisa liberou neste domingo uso emergencial das vacinas Coronavac e da Astrazeneca. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

campanha de vacinação nacional contra a covid-19 começou no dia 18 de janeiro, com a distribuição de doses da Coronavac para cada Estado. Após o recebimento dos imunizantes, administrações locais deram início à primeira etapa, voltada exclusivamente para grupos prioritários: profissionais de saúde da linha de frente no combate ao coronavírus, idosos que vivem em asilos e indígenas. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia liberado o uso emergencial de 8 milhões de doses das vacinas Coronavac (6 milhões) e Oxford/Astrazeneca (2 milhões) um dia antes. Logo após essa aprovação, o Estado de São Paulo iniciou oficialmente suaa campanha de imunização dos profissionais da saúde da linha de frente no complexo do Hospital das Clínicas. 

Abaixo, perguntas e respostas sobre o assunto:

Quando começou a vacinação no Brasil?

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, autorizou o início do Plano Nacional de Imunização em 18 de janeiro. Um dia antes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez um evento que deu o pontapé inicial para a camapanha e começou a aplicação de doses em profissionais de saúde na capital paulista. A campanha segue com a vacinação desse grupo no Hospital das Clínicas da capital e em hospitais de referência de outras cidades do interior. Entre segunda e terça-feira, após alguns atrasos, todos os Estados iniciaram a vacinação

Quem pode se vacinar? Já posso ir ao postinho?

Neste momento, somente os grupos considerados prioritários (veja abaixo) serão imunizados. A vacina ainda não está disponível amplamente, então não se dirija a um posto de saúde. 

Quais são os grupos prioritários?

Conforme o Ministério da Saúde, os primeiros a receber as vacinas são os profissionais de saúde da linha de frente do combate à covid-19, idosos com mais de 60 anos que vivem em instituições de longa permanência; pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência, que vivem em residências inclusivas e indígenas que vivem em terras indígenas. Quilombolas foram tirados da lista pelo ministério, mas o governo de São Paulo decidiu que eles também serão vacinados em São Paulo. As pessoas desses grupos vão receber a imunização nos locais onde vivem/trabalham, sob a coordenação de cada município. 

 

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Vacinação contra a covid-19 Foto: Marcos Müller/ESTADÃO

Quando os idosos que não vivem em asilos serão vacinados? 

Algumas capitais brasileiras começaram a vacinar no final de janeiro idosos que não estão sob a guarda do Estado; ou seja, não estão em abrigos, asilos ou presídios. No entanto, a maioria das cidades ainda não tem um cronograma definido para vacinar a população geral. As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Branco (AC), Fortaleza (CE) e Recife (PE) e o Distrito Federal já têm planos de vacinação para idosos. A capital fluminense vai vacinar idosos com 80 anos ou mais a partir da próxima segunda-feira, 1º. 

Em São Paulo, a vacinação ocorre com idosos com 85 anos ou mais a partir do dia 8 de fevereiro. O governo paulista pretende começar a vacinar a população de 80 a 84 anos no fim de fevereiro. Para tanto, o governo aguarda uma incorporação desse público do Plano Nacional de Imunização (PNI). Porém, caso isso não ocorra, a ideia é incorporar essa faixa etária no planejamento estadual, a exemplo do que foi feito com quilombolas na primeira fase. 

Rio Branco deve começar a imunização de idosos a partir de 80 anos e que estejam acamados no dia 1.º de fevereiro. O Distrito Federal iniciará a vacinação de idosos com mais de 80 anos a partir desta segunda-feira, 1º. Fortaleza iniciou na última quarta-feira, 27, a vacinação domiciliar de idosos acima de 75 anos. Recife também iniciou na quarta a vacinação de idosos acima de 85 anos. Manaus (AM), que vive o colapso do sistema de saúde, começou a vacinar idosos de 80 anos nesta sexta-feira, 29. O critério é por mês de nascimento. 

Todos os profissionais de saúde serão vacinados?

Ao longo da campanha de vacinação, sim. Mas neste primeiro momento serão apenas os que estão na linha de frente do combate à pandemia, as equipes que estiverem inicialmente envolvidas na vacinação dos grupos elencados para as 6 milhões de doses; os trabalhadores das instituições de longa permanência de idosos e de residências inclusivas. O critério para definir os grupos prioritários foi o grau de exposição à infecção e de maiores riscos para agravamento e óbito pela doença. 

Quais trabalhadores estão incluídos nessa categoria?

Nesse grupo dos trabalhadores da saúde estão incluídos, além de médicos e enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontólogos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares. Assim como os trabalhadores de apoio, como recepcionistas, seguranças, pessoal da limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias e outros que trabalham nos serviços de saúde, mas que não estão prestando serviços direto de assistência à saúde das pessoas. 

Estudantes dessas áreas também serão vacinados nesta primeira etapa?

De acordo com Ministério da Saúde, a vacina será ofertada para acadêmicos em saúde e estudantes da área técnica em saúde que estejam em estágio hospitalar, de atenção básica e clínica, assim como aos profissionais que atuam em cuidados domiciliares como os cuidadores de idosos e doulas/parteiras, bem como funcionários do sistema funerário que tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados. 

O governo de São Paulo criou um pré-cadastro para a vacinação. Devo preenchê-lo?

Neste momento, o pré-cadastro no site VacinaJá é voltado somente para o público alvo da 1ª fase da vacinação, ou seja: profissionais de saúde e indígenas. O pré-cadastro não é um agendamento, mas é voltado para agilizar o atendimento nos locais de vacinação e evitar a formação de aglomerações. Quem não fizer o pré-cadastro, porém, também poderá se vacinar, mas terá de fazer o cadastro completo na unidade de vacinação. 

Quais serão os locais de vacinação?

Cada Estado definirá os postos de vacinação. Em São Paulo, a operação começou oficialmente com a imunização de trabalhadores de saúde de seis hospitais de referência no combate à covid-19: Hospitais das Clínicas da Capital e de Ribeirão Preto (USP), de Campinas (Unicamp), de Botucatu (Unesp), de Marília (Famema) e Hospital de Base de São José do Rio Preto (Funfarme). O governo paulista ainda vai divulgar detalhes da imunização contra idosos com 90 anos ou mais, prevista para 8 de fevereiro. Mas cada município poderá instituir sua própria estratégia. A princípio, os idosos terão de se dirigir a postos de saúde.  

Quais vacinas serão aplicadas no Brasil?

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso emergencial de 10 milhões de doses da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e de dois milhões de doses da vacina da Universidade de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca, em parceria com a Fiocruz. O Ministério da Saúde confirmou ainda a compra de mais 54 milhões de doses da Coronavac (40 milhões já seriam entregues até abril), aumentando a quantidade prevista para 2021: 100 milhões. O governo federal estaria ainda tentando destravar a autorização da vacina russa Sputnik pela Anvisa.  

A vacina será gratuita?

Sim. Inicialmente, a vacina será aplicada apenas pelo Sistema Único de Saúde, de forma gratuita a toda população. 

Há previsão de que se possa comprar a vacina em clínicas particulares?

Ainda não há previsão de compra das vacinas aprovadas pelas clínicas particulares. A autorização da Anvisa para uso emergencial é restrita para a rede pública de saúde. Entretanto, um grupo de empresários tenta comprar imunizantes com dinheiro privado (50% atenderia ao setor produtivo e 50%, ao SUS), mas a iniciativa sofre resistência.  

Por que a vacinação é importante e todos devem se vacinar?

Quanto maior o número de pessoas vacinadas, mais rápido terminará a pandemia. Isso porque diminuirá a circulação do vírus e maior parte da população fica protegida. De acordo com a rede Todos pelas Vacinas, "para uma vacina ser eficaz no indivíduo e na comunidade, ela deve cobrir uma porção determinada da população. Essa quantidade de pessoas depende do tipo de vacina e do patógeno. Uma cobertura vacinal alta previne pessoas vulneráveis a infecções, como pacientes com o sistema imunológico debilitado, recém-nascidos e idosos." Esse fenômeno de proteção indireta é o que ficou conhecido como "imunidade de rebanho".  

As vacinas são seguras?

Sim. Todas as vacinas aprovadas no Brasil contra o coronavírus passaram pelos testes de segurança e foram reconhecidas como seguras pela Anvisa. Os eventos adversos em geral apresentados já em bula são leves. Os mais comuns são dores no local da aplicação e às vezes febre baixa, além de fadiga e dor de cabeça. "Mesmo que existam casos relatados com evolução para alguma gravidade, a chance disso ocorrer é pequena e o risco é totalmente compensado pelos benefícios obtidos com a vacina", explica a rede Todos pelas Vacinas. O grupo também frisa: vacinas não alteram DNA. Isso é impossível. "A gente pode ficar muito tranquilo. Nenhuma vacina vai fazer mal para ninguém, não vai transformar em jacaré. E o benefício que elas trazem para a sociedade supera absurdamente esses riscos mínimos", disse a microbiologista Natália Pasternak, da USP  e do Instituto Questão de Ciência em live no Estadão

Contrair a covid-19 dá uma proteção melhor do que tomar a vacina?

Não. A imunidade que o nosso corpo desenvolve após contrair a doença ainda não está clara e pode durar pouco tempo, como sugerem os casos de reinfecção que vêm sendo relatados. Além disso, o risco de morrer ao contrair a covid-19 é de cerca de 1% – taxa que aumenta consideravelmente com a idade e com a ocorrência de comorbidades (como diabetes, hipertensão e obesidade). E mesmo quem se recupera da doença pode apresentar ainda por vários meses sintomas, como fadiga, além de outras sequelas mais graves. Então não vale a pena. Melhor tomar a vacina.   

Mesmo vacinado, eu ainda posso ter covid?

A chance com a vacina diminui, mas não 100%. O que os testes indicam, porém, é que mesmo se uma pessoa vacinada contrair a doença, os sintomas podem ser de leves a moderados, mas a chance de precisar de hospitalização diminui muito. 

Há um risco da vacina para pessoas mais velhas e doentes?

Os testes tanto com a vacina de Oxford quanto com a Coronavas tiveram poucos participantes idosos e ainda não foi possível concluir quanto elas são eficazes para eles, mas a segurança em geral foi similar. Recentemente, houve um alerta feito pelo governo da Noruega em relação à vacina da Pfizer. Em 14 de janeiro, a Agência Norueguesa de Medicamentos atualizou suas recomendações sobre quem deve receber a vacina após alguns idosos morrerem pouco tempo depois de serem vacinados. Mas não foi estabelecida uma relação causal entre as mortes e as vacinas. Desde o início da campanha de vacinação, no final de dezembro, 33 idosos que receberam a primeira dose morreram. Entre essas mortes, 13 foram analisadas de forma mais abrangente até agora se observou que eram “pessoas muito idosas, frágeis e gravemente doentes”, com mais de 80 anos. A diretora da autoridade de saúde norueguesa, Camilla Stoltenberg, lembrou que diariamente morrem 45 pessoas em lares de idosos no país e disse que não há evidências que a vacina tenha causado os óbitos recentes. 

No dia 28 de janeiro, a Alemanha decidiu que não aplicará a vacina de Oxford em idosos. A determinação se deve à falta de dados mais detalhados sobre os efeitos do imunizante em todas as faixas etárias. Para Ann Costa Clemens, coordenadora de ensaios clínicos da vacina de Oxford/AstraZeneca no Brasil, a aplicação é segura em todas as idades, mas o estudo ainda não teve tempo de incluir, em seis meses, o grupo de idosos - o retorno seria mais demorado porque pessoas mais velhas tendem a se proteger mais, apresentando menos casos de infecção.  

Hábitos saudáveis podem proteger contra a covid-19 e substituir a vacina?

Não. A rede Todos pelas Vacinas explica: "Qualquer imunização é a provocação de uma resposta imune adaptativa (anticorpos e linfócitos de memória) através da inoculação de antígenos. Uma pessoa só está imune a uma doença se produzir anticorpos e linfócitos de memória. Hábitos saudáveis podem auxiliar na resposta imune eficaz, mas não imunizar". 

Quanto tempo após tomar a vacina a pessoa pode se considerar imunizada?

A imunidade depende de cada vacina. Um imunizante geralmente demora de duas a três semanas para fazer efeito. As duas vacinas (Coronavac e Oxford/AstraZeneca) disponíveis no Brasil precisam de duas doses para atingir a eficácia total. No caso da Coronavac, as vacinas devem ser aplicadas com intervalo de 28 dias. Já a vacina de Oxford pode ter espaço de 21 dias a 3 meses entre as aplicações.  

Quantas pessoas precisam ser vacinadas para se alcançar a chamada 'imunidade de rebanho'?

Considerando somente a Coronavac, a única vacina atualmente disponível no Brasil, será preciso aplicá-la em praticamente toda sua população apta a recebê-la (99%) para alcançar a imunidade coletiva – e assim deter a circulação do novo coronavírus no País, segundo cálculo do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Questão de Ciência. Segundo Almeida, seriam necessários dez meses para que todos recebessem a primeira dose. Ou seja, se tudo der certo, a vacinação, considerando que são necessárias duas doses para imunização, só terá detido totalmente o vírus no 2º semestre de 2022. 

Se a imunidade de rebanho deve demorar ainda a chegar, quais são os resultados mais imediatos na pandemia que podemos esperar com a vacinação?

Para a microbiologista Natália Pasternak, da USP, quando o número de doses disponíveis for grande o bastante para realmente conseguir atingir os grupos de risco, o primeiro impacto que pode ser sentido é a queda de hospitalização e de mortes. Talvez mais do meio do ano para o fim tenhamos redução de casos mesmo.  

À medida que a imunização ocorra, as medidas de isolamento podem ser relaxadas?

Não. Os próprios técnicos da Anvisa ressaltaram na reunião pública em que aprovaram o uso emergencial de ambas as vacinas – a Coronavac e a produzida por Oxford – que o País ainda está longe de vislumbrar um cenário em que as medidas de restrição impostas com base na Ciência deixem de ser necessárias. Por isso, ainda é fundamental manter o isolamento sempre que possível, o distanciamento e usar máscara e álcool em gel. 

Depois que eu for vacinado, posso abraçar as pessoas normalmente?

Não. Os cuidados de distanciamento social continuam até que se alcance a imunidade de rebanho, ou seja, em que cerca de 60% a 70% da população esteja imunizada. Como as vacinas não têm 100% de eficácia, ainda existe a chance de se infectar, então é preciso continuar se precavendo. 

Quantas doses de vacina contra a covid-19 estão disponíveis e quantas pessoas podem ser vacinadas com elas?

O lote inicial da Coronavac, de 6 milhões de doses, seria suficiente para vacinar só 0,5% dos idosos brasileiros e 34% dos profissionais de saúde do País. A inclusão, por exemplo, dos idosos de mais de 75 anos a esses grupos prioritários da primeira leva já aumenta a demanda para 54 milhões de doses. Um segundo lote de 4,8 milhões de doses foi posteriormente aprovado pela Anvisa para uso emergencial, mas ainda está longe de contemplar uma parcela significativa da população.   

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teria 354 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 garantidas para 2021, por meio dos acordos com a Fiocruz (212,4 milhões de doses), Butantan (100 milhões de doses) e Covax Facility (42,5 milhões de doses). Isso atenderia a até 177 milhões de brasileiros, 77 milhões deles dos 27 grupos prioritários.  

Mais doses da Coronavac podem ser produzidas em breve?

O Instituto Butantan deve entregar 46 milhões de unidades da Coronavac até abril - a conta considera vacinas já importadas ou envasadas no Brasil - , mas ainda aguarda a chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) da farmacêutica chinesa Sinovac. compra de outras 54 milhões de doses foi firmada pelo governo federal com o Instituto Butantan na semana passada.  

O que são esses insumos, o tal IFA? 

O chamado Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) é o cerne das vacinas, o insumo principal de todo medicamento, é  substância confere a atividade farmacológica à vacina ou a qualquer outro medicamento. No caso da Coronavac, é o próprio vírus inativado. No caso de Oxford, é um adenovírus modificado geneticamente para carregar com uma sequência genética do Sars-CoV-2. São eles que vão "enganar" o nosso corpo para produzir os anticorpos, que vão reagir se e quando o corpo for realmente contaminado. Os outros componentes presentes na vacina são chamados excipientes e, apesar de não serem responsáveis pela atividade farmacológica, são importantes para seu perfeito funcionamento até o final do prazo de validade. 

Quem são os principais fornecedores da matéria-prima?

O Brasil é totalmente dependente da China e da Índia, especialmente, na fabricação de insumos. No Brasil, não há uma política governamental para incentivar a produção dos insumos farmacêuticos ativos. A fábrica que daria autonomia para o Brasil na produção da Coronavac só deve ficar pronta em outubro

Quais acordos para a importação?

Os insumos devem ser enviados dentro do que foi acordado entre os governos e o Butantan e a Fiocruz. Os dois institutos têm tecnologia para transformar esse insumo em vacinas, mas sem a substância não poderão fazer nada. 

Quais os impactos na vacinação da covid-19?

O Brasil depende da chegada do insumo para que sejam produzidas as vacinas de Oxford e Coronavac no País. Com a demora na entrega, a campanha de imunização também sofre com atrasos.  

Por que o Brasil já não faz o insumo? 

No caso das vacinas do Butantan e da Fiocruz, os IFAs são o vírus inativado e o adenovírus, respectivamente, que serão os responsáveis por gerar a resposta imunológica. A tecnologia de fabricação do IFA é das empresas estrangeiras e ainda não foi transferida para o Brasil. O Instituto Butantan prevê autonomia para produzir a vacina contra a covid - do começo ao fim - em outubro. O Brasil teria condições de produzir esses insumos, pois tem tecnologia e pesquisadores aptos para isso, mas é necessário investimento. As empresas estrangeiras investiram pesado para ter uma vacina tão rapidamente. 

Qual a capacidade de produção da Coronavac no Brasil?

O Instituto Butantan tem capacidade para fabricar um milhão de doses por dia, de acordo com presidente do órgão, Dimas Covas. Mas, para isso, ainda depende de insumos feitos pelo laboratório chinês Sinovac, que precisam ser importados. A instituição estima que ainda demore dez meses para ter capacidade de produzir a vacina sem depender de insumos importados. O Butantan está construindo uma nova fábrica que seria capaz de produzir todos os insumos necessários para a fabricação de uma vacina 100% nacional: as obras foram iniciadas em novembro e devem ficar prontas até 3o de setembro. 

A vacina de Oxford já está sendo produzida no Brasil?

Ainda não. A Fiocruz será a responsável pela produção da vacina de Oxford/AstraZeneca, mas não recebeu nenhuma remessa do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), o princípio ativo da vacina, para a produção. O produto ainda tem de vir da China. Com o atraso na chegada desses insumos, a Fiocruz adiou de fevereiro para março a previsão de entrega das primeiras doses da vacina que serão produzidas no Brasil. A previsão da Fiocruz, quando estiver de posse do IFA, é fabricar 100 milhões de doses. 

A taxa geral de eficácia da Coronavac se revelou de 50,38%. O que isso significa?

Essa taxa significa que a vacina reduz pela metade o risco de adoecer. Essa é a capacidade da vacina de evitar casos sintomáticos de um modo geral, independentemente da gravidade. Com ela, a pessoa vacinada tem 50,38% menos chance de desenvolver a doença. 

 

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Eficácia da vacina contra a covid-19 Foto: Marcos Müller/ESTADÃO

Qual é a diferença desse número para o que foi anunciado anteriormente, de 78%?

Esse número foi obtido com um recorte do estudo, que considerou a ocorrência de casos leves de covid-19 que demandaram alguma intervenção médica. Foram 31 casos assim no grupo placebo e apenas 7 no que foi vacinado. Ou seja, mesmo entre quem acabou ficando doente, a vacina reduziu em 78% a chance de ter uma doença leve que precise de assistência médica. Essa sim seria uma gripezinha. 

A vacina de Oxford tem eficácia melhor?

As duas vacinas têm eficácia suficiente para ajudar no combate à pandemia. Nos testes, a vacina de Oxford foi administrada de duas formas diferentes: na primeira delas, os voluntários receberam metade de uma dose e, um mês depois, uma dose completa. Nesse grupo de voluntários, a eficácia foi de 90%. Já no segundo grupo, que recebeu duas doses completas da vacina, a eficácia foi reduzida a 62%. Esses dois resultados permitiram estimar que a eficácia média da vacina é de 70%. 

É possível tomar as duas doses de vacinas diferentes? É possível escolher qual tipo de vacina tomar?

O Plano Nacional de Imunização (PNI) prevê o uso de diferentes imunizantes, mas não a utilização da chamada intercambialidade de doses - quando uma pessoa recebe a primeira injeção de um imunizante e a segunda, de outro. Não será possível escolher qual vacina tomar. Elas estão sendo distribuídas por Estado e a distribuição está a cargo do PNI.  

Grávidas podem tomar a vacina?

Segundo os especialistas, vai depender do caso. "Não há estudos que indiquem efeito prejudicial da aplicação das vacinas contra a covid-19 em grávidas. Porém, fique de olho: também não há, ainda, estudos que comprovem sua segurança nesse grupo", aponta a rede Todos pelas Vacinas. Os estudos clínicos dos imunizantes aprovados para uso emergencial no Brasil não incluiu mulheres grávidas entre os voluntários. Caso pertença a algum grupo de risco – seja ela obesa, hipertensa ou diabética –, a mulher deve ser informada de que se trata de uma vacina nova, ainda não testada para o caso dela. Mas, mesmo assim, ser infectada pela covid-19 representa um risco maior que o de ser vacinada. A recomendação é de que as gestantes conversem com seus obstetras antes de tomar uma decisão. A Sociedade Brasileira de Infectologia chegou a fazer uma recomendação de que a Coronavac é segura para grávidas no terceiro trimestre. Mas isso não está em bula nem na recomendação do PNI. 

Quem está com febre pode tomar a vacina? E quem está tomando antibiótico?

As pessoas com febre devem aguardar para receber a vacina. Quem está tomando antibiótico deve conversar com o seu médico antes. 

Se uma pessoa infectada, mas sem saber, tomar a vacina, ela pode ter algum problema? Pode tomar? E quem já foi infectado?

Pode. E quem já foi infectado deve, sim, tomar a vacina. Porque a imunidade natural ao vírus não é constante na população e não é mensurável. Algumas pessoas que tiverem uma forma leve da doença às vezes nem produzem muitos anticorpos, enquanto gente que teve uma forma mais grave pode ter uma resposta mais robusta. Quando se dá a vacina para a população como um todo, essa resposta fica padronizada e é mais garantido que de fato todo mundo está imunizado. 

A Coronavac pode ser tomada com outras vacinas?

O Ministério da Saúde recomendou um intervalo mínimo de 14 dias entre as vacinas covid-19 e as diferentes vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, visto que não foram feitos estudos de administração simultânea das vacinas. 

Quando a população em geral vai começar a ser vacinada?

Ainda não se sabe. Isso vai depender da disponibilidade de mais vacinas. Anteriormente, o Ministério da Saúde havia informado que o cronograma seguiria a seguinte ordem: idosos a partir de 75 anos; pessoas de 60 a 74 anos; pessoas com comorbidades (doenças que aumentam o risco de agravamento da covid-19, como diabetes, hipertensão, doenças pulmonares e cardiovasculares; professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional. 

Crianças e adolescente também serão vacinados?

Por enquanto não. Além de ainda não terem sido feitos testes clínicos das vacinas com menores de 18 anos, o risco para essa faixa etária é considerado menor.   

Se poucas pessoas forem vacinadas e o intervalo para voltar a vacinar for muito grande, essa imunidade pode se perder? Ou pode não servir pra nada?

A possibilidade cogitada pelo governo de João Doria (PSDB) de adiar a aplicação da segunda dose da vacina Coronavac em um intervalo superior a 28 dias é uma decisão tomada no escuro, segundo especialistas, já que não há dados que demonstrem o quanto uma única dose é capaz de gerar resposta imune. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que o intervalo continue sendo seguido, já que a aprovação do uso emergencial da Coronavac está baseada nos dados dos estudos apresentados - que falam sobre a aplicação da segunda dose em um período de duas a quatro semanas. "Não há resposta fácil. As vacinas foram testadas para um determinado regime de doses e alterar isso é sempre um risco, porque não há dados científicos para prever o que vai acontecer", explica Natalia Pasternak, doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC).  

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